Não pense que sou um louco, um inconsequente infeliz que não tem a mínima idéia dos riscos que corre.
Pense em mim como uma pessoa que acredita no poder de criar possibilidades.
20 novembro, 2008
NO MSN, de novo
eu: n sei como essas pessoas conseguem. Dizem que namoram e saem e traem e ninguém acredita em nada - não há compromisso com nada.
ele: Deixa eles serem felizes...
eu: e será que são felizes? essa insatisfação é felicidade?
ele: são felizes fazendo os outros de trouxas.
eu: que felicidade suja. que nojo.
ele: Deixa eles serem felizes...
eu: e será que são felizes? essa insatisfação é felicidade?
ele: são felizes fazendo os outros de trouxas.
eu: que felicidade suja. que nojo.
No MSN
eu: amigos gostam d se encontrar, bater papo, tomar um sorvete, qqer coisa.
ele: minha prioridade é a faculdade. Não tenho tempo pra mais nada, cara.
eu: só quero te dizer que não vou ser seu amigo de MSN. não consigo ser. não quero ser. não consigo ter conversas superficiais com você porque conheço sua profundidade. sei o que você é, o quão denso é e busco isso, entende?
ele: isso está parecendo cobrança...
eu: bom, entenda como quiser. contanto que entenda.
ele: minha prioridade é a faculdade. Não tenho tempo pra mais nada, cara.
eu: só quero te dizer que não vou ser seu amigo de MSN. não consigo ser. não quero ser. não consigo ter conversas superficiais com você porque conheço sua profundidade. sei o que você é, o quão denso é e busco isso, entende?
ele: isso está parecendo cobrança...
eu: bom, entenda como quiser. contanto que entenda.
16 novembro, 2008
conversa relatada
e eis que o cara comprometido resolve dar em cima da mocinha solteira.
mas a solteira n tem vocação pra moça idiota.
ele reclama da frieza dela.
ela retruca. é impressão - desconversa.
a língua coça. ela n aguenta.
posso te dizer uma coisa? pergunta ela.
ele dá sinal verde. ela dá a partida cantando pneus.
Olha, me desculpa. Eu não ia falar, mas não consigo me conter. Sou sincera a ponto de não conseguir evitar, mesmo que isso custe amizades ou gere brigas. Então me diz...das duas uma: ou você é um safado pilantra que sai com todo mundo e engana sua namorada enquanto ela tá em casa achando que você morre de amores por ela ou você é um banana, porque é covarde e não tem sequer a coragem de terminar com ela pra poder ter qualquer coisa comigo. E eu vou torcer realmente pra você ser um banana, porque se você for um pilantra imprestável, eu vou dormir triste por saber que existe gente como você no mundo. esse tipo de gente mulher nenhuma merece.
ele ficou em silêncio.
ela sorriu.
ambos não se viram mais.
mas a solteira n tem vocação pra moça idiota.
ele reclama da frieza dela.
ela retruca. é impressão - desconversa.
a língua coça. ela n aguenta.
posso te dizer uma coisa? pergunta ela.
ele dá sinal verde. ela dá a partida cantando pneus.
Olha, me desculpa. Eu não ia falar, mas não consigo me conter. Sou sincera a ponto de não conseguir evitar, mesmo que isso custe amizades ou gere brigas. Então me diz...das duas uma: ou você é um safado pilantra que sai com todo mundo e engana sua namorada enquanto ela tá em casa achando que você morre de amores por ela ou você é um banana, porque é covarde e não tem sequer a coragem de terminar com ela pra poder ter qualquer coisa comigo. E eu vou torcer realmente pra você ser um banana, porque se você for um pilantra imprestável, eu vou dormir triste por saber que existe gente como você no mundo. esse tipo de gente mulher nenhuma merece.
ele ficou em silêncio.
ela sorriu.
ambos não se viram mais.
12 novembro, 2008
não dão a mínima
a indiferença é caracteristica das pessoas que não dão a mínima.
a raiva...é marca das pessoas que se importam demais.
a raiva...é marca das pessoas que se importam demais.
19 outubro, 2008
quero não valer nada
Às vezes queria ter a capacidade de me importar com não me importar com nada. Queria não valer uma palha. Mas não consigo.
Sempre vou valer alguma coisa, pois sou o preço da liberdade que pago, das brigas que compro, dos sentimentos que economizo. Não posso valer nada. E mesmo que não valesse coisa alguma seria infeliz. O que eu quero não é valer nada, é a felicidade dos que não valem nada. Quero a felicidade deles que são tão vãos e que parecem tão livres.
Sempre vou valer alguma coisa, pois sou o preço da liberdade que pago, das brigas que compro, dos sentimentos que economizo. Não posso valer nada. E mesmo que não valesse coisa alguma seria infeliz. O que eu quero não é valer nada, é a felicidade dos que não valem nada. Quero a felicidade deles que são tão vãos e que parecem tão livres.
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18 outubro, 2008
Provérbio Cigano
Quando eu morrer enterrem-me de pé, pois passei minha vida toda de joelhos. *lido em A Bruxa de Portobello, de Paulo Coelho.
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17 outubro, 2008
A cegueira, sem ensaios.
Na vida o que existe são fatos, mas o que importa são os detalhes. O primeiro fato é o seguinte: você consegue ler. Com os olhos nesse texto você decifra as palavras e compreende a idéia - você vê. Tudo é muito claro no que se apresenta a sua frente: as folhas brancas de papel, as mãos suadas que a seguram, os rostos das pessoas, garfos, pratos, chão, sol, céu. Tudo é perceptível. Mas existe só um pequeno detalhe: você não enxerga.
Você vê a rosa, mas n enxerga os espinhos. Vê os sorrisos, mas não enxerga a solidão que eles demonstram. O sol é lindo, mas explosivo. O ar é puro, mas não é limpo. Você vê somente a superfície. Há mais ao alcance dos olhos, se você se der ao luxo de tentar encontrar. É tudo igual, nada muda. Exceto que a rosa, não é só a rosa: é a primavera. O sol não é só o sol, é a galáxia. E as pessoas não são sorrisos e lágrimas, são sentimentos.
E convenhamos, pouco importam as rosas e o sol e muito menos os garfos: são as pessoas que interessam, são pra elas que você vive; e mesmo que você seja um hermitão solitário você vive pra si mesmo e ainda assim a afirmação anterior se confirma. Quando foi a última vez que você viu seu melhor amigo chorar e não teve sequer que perguntar o porquê? Quando foi que sua irmã sorriu e você já sabia o motivo? Quantas vezes você percebeu a angústia por trás dos abraços ou as lágrimas que contém um aperto de mão?
Tudo isso nos leva ao segundo fato: você é cego. E embora seus olhos estejam abertos você os fecha para tudo aquilo que machuca ou que dá um pouco mais de trabalho ou que não chama sua atenção de forma violenta. O que quero dizer é que você não nota o mendigo na esquina, por quem você passa todos os dias, até que ele te aborde com uma arma. E mesmo quando isso acontecer você não vai ser capaz de perceber que ele não quer morte, ele quer comida.
Muitas coisas escapam aos olhos a princípio. E é importante saber disso. Mas da mesma maneira que abrir os olhos não significa enxergar, ter consciência não implica compreender. Porque quando você começa a compreender, chegamos ao terceiro fato: você pode enxergar. Ninguém precisa apreciar toda a primavera. Pra quê? A singularidade de uma única rosa a faz admirável. Mas a percepção de que ela é uma parte de uma estação anual é incrível. De que adianta observar a via láctea se é o sol que vejo todos os dias, a mesma esfera amarelada a me aquecer todas as manhãs?
Enxergar não é ampliar a visão. Enxergar é escolher. É admirar o sol sabendo que ele ilumina a tantos outros planetas além do nosso. É saber que o abraço não é só un enlace de abraços - é saudade, é alegria ou mesmo brincadeira. Enxergar é perceber possibilidades. E a triste verdade é que sempre seremos parcialmente cegos, porque nunca conseguiremos enxergar todas as possibilidades. Afinal, enxergar é escolher e escolhas são perdas. Mas ninguém precisa ver tudo. Pra admirar toda a primavera tudo o que você precisa é de um par de pupilas e de uma única flor diante delas.
O mendigo da esquina agradece.
* escrito depois de assistir 'O Ensaio Sobre a Cegueira', com direção de Fernando Meirelles, baseado na obra de mesmo nome de José Saramago.
Você vê a rosa, mas n enxerga os espinhos. Vê os sorrisos, mas não enxerga a solidão que eles demonstram. O sol é lindo, mas explosivo. O ar é puro, mas não é limpo. Você vê somente a superfície. Há mais ao alcance dos olhos, se você se der ao luxo de tentar encontrar. É tudo igual, nada muda. Exceto que a rosa, não é só a rosa: é a primavera. O sol não é só o sol, é a galáxia. E as pessoas não são sorrisos e lágrimas, são sentimentos.
E convenhamos, pouco importam as rosas e o sol e muito menos os garfos: são as pessoas que interessam, são pra elas que você vive; e mesmo que você seja um hermitão solitário você vive pra si mesmo e ainda assim a afirmação anterior se confirma. Quando foi a última vez que você viu seu melhor amigo chorar e não teve sequer que perguntar o porquê? Quando foi que sua irmã sorriu e você já sabia o motivo? Quantas vezes você percebeu a angústia por trás dos abraços ou as lágrimas que contém um aperto de mão?
Tudo isso nos leva ao segundo fato: você é cego. E embora seus olhos estejam abertos você os fecha para tudo aquilo que machuca ou que dá um pouco mais de trabalho ou que não chama sua atenção de forma violenta. O que quero dizer é que você não nota o mendigo na esquina, por quem você passa todos os dias, até que ele te aborde com uma arma. E mesmo quando isso acontecer você não vai ser capaz de perceber que ele não quer morte, ele quer comida.
Muitas coisas escapam aos olhos a princípio. E é importante saber disso. Mas da mesma maneira que abrir os olhos não significa enxergar, ter consciência não implica compreender. Porque quando você começa a compreender, chegamos ao terceiro fato: você pode enxergar. Ninguém precisa apreciar toda a primavera. Pra quê? A singularidade de uma única rosa a faz admirável. Mas a percepção de que ela é uma parte de uma estação anual é incrível. De que adianta observar a via láctea se é o sol que vejo todos os dias, a mesma esfera amarelada a me aquecer todas as manhãs?
Enxergar não é ampliar a visão. Enxergar é escolher. É admirar o sol sabendo que ele ilumina a tantos outros planetas além do nosso. É saber que o abraço não é só un enlace de abraços - é saudade, é alegria ou mesmo brincadeira. Enxergar é perceber possibilidades. E a triste verdade é que sempre seremos parcialmente cegos, porque nunca conseguiremos enxergar todas as possibilidades. Afinal, enxergar é escolher e escolhas são perdas. Mas ninguém precisa ver tudo. Pra admirar toda a primavera tudo o que você precisa é de um par de pupilas e de uma única flor diante delas.
O mendigo da esquina agradece.
* escrito depois de assistir 'O Ensaio Sobre a Cegueira', com direção de Fernando Meirelles, baseado na obra de mesmo nome de José Saramago.
28 setembro, 2008
você me incomoda.
Esses dias fui lembrado por um parente do quanto eu incomodo. Tenho consciência disso. Não sou perfeito e são os defeitos é que incomodam. Mas por outro lado, mesmo que não os tivesse - a perfeição têm um quê de insuportável. O difícil é expressar que a pessoa incomoda sem deixá-la sem graça e sem criar mal-estar. Porque nem pra todo mundo conviver é aceitar e pra poucos socializar-se é ceder.
O incômodo é uma percepção. O incomodado é o observador consciente da perturbação. A percepção é individual, subjetiva. E os incômodos às vezes são vãs escolhas. Se você cortou o cabelo e ficou com penteado X não é da minha alçada se sentir incomodado e se eu me sinto é porque eu preferi me importar.
Enfim,
Viver incomoda...os outros, claro. Mas os outros também nos incomodam. E existir é um eterno perturbar. Quando eu respiro, tenho certeza que irrito o ar que foi então sugado. E sabe o que eu faço? Respiro de novo, e de novo, e de novo.
Alguns incômodos são essenciais, assim como um corte de cabelo.
O incômodo é uma percepção. O incomodado é o observador consciente da perturbação. A percepção é individual, subjetiva. E os incômodos às vezes são vãs escolhas. Se você cortou o cabelo e ficou com penteado X não é da minha alçada se sentir incomodado e se eu me sinto é porque eu preferi me importar.
Enfim,
Viver incomoda...os outros, claro. Mas os outros também nos incomodam. E existir é um eterno perturbar. Quando eu respiro, tenho certeza que irrito o ar que foi então sugado. E sabe o que eu faço? Respiro de novo, e de novo, e de novo.
Alguns incômodos são essenciais, assim como um corte de cabelo.
26 setembro, 2008
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