Inteligentíssimo.

E real.

Leia aqui.

O cachorro do meu irmão morreu.

Essa foi a notícia que recebi quando cheguei em casa, vindo do trabalho. Fiz algumas perguntas vagas, como se a minha displicência fosse me afastar de algum modo da consciência do fato. Foi em vão. Ficamos imersos na morte do cão.

Aí chegou o amigo do meu irmão, chamado exclusivamente para ajudar a carregar o cadáver do cachorro. Algumas introduções, algumas piadas, o convite. A resposta? "Desculpa, não vou por a mão nele não".

Meu irmão foi até a casa do cão com uma lâmpada, para ajudar a iluminar o local. Voltou logo. "Não vai dar, não vou conseguir, é muito triste" voltou ele dizendo, derrotado.

De repente, eu cansei. "Vamos lá então", disse eu. (Seja forte, seja forte...)

Na casa do cão, quando a luz quebrou a escuridao, lá estava ele. Era um Pit-bull, cara ameaçadora, dentes afiados, desconfiança plena de tudo e de todos. Mas já não era nada disso. Os olhos opacos eram meigos como nunca tinham sido em vida; as patas encolhidas, a boca aberta, os olhos apreciando infinitamente o asfalto.

(Seja forte, seja forte).

Dei um passo à frente. Me animei com a perspectiva de retirá-lo dali, como se fosse uma homenagem póstuma, uma aproximação, ao cão que por toda a vida tinha afastado todos de si. Cobri o cão com um lençol e a partir daí o incomodo melhorou. A dor diminuiu. Até agora não sei bem ao certo se fiz isso pra não ver o cão ou se o fiz para não ME ver no cão. Esse é o grande problema com a morte: há uma empatia involuntária.

Continuei sendo forte e comecei a movê-lo. Meu irmão saiu do choque e me ajudou. Pusemos um saco de lixo na cabeça, em direção ao rabo. E depois outro, no rabo em direção à cabeça, para selar o corpo. Olhei para o corpo. O cão no saco preto. Um dia todos seremos isso: uma massa rígida dentro de um saco preto.

Fui forte, comemorei. Fui forte. Ajudei meu irmão a levar o cão morto pra um veterinário, onde seria incinerado. Fui forte.

Cheguei em casa e fui logo dormir. Com a cabeça no travesseiro, me ocorreu que eu não havia fechado os olhos do cão. Sepultado de olhos abertos.

Seja forte, seja forte. Não consegui.

Lembrando de olhos eternamente abertos, o peso mórbido da morte me atingindo, fiquei com meus olhos abertos até tarde da noite.

Meu travesseiro ficou lavado de lágrimas.

“Eu sou um brinquedo caro e você, uma criança pobre”.

- nick no MSN.

Cruel

legimitado por Jean Fabrício S. | 9/21/2009 11:33:00 PM

O vídeo de Hitler que foi banido do Youtube. Aqui.

Fato

legimitado por Jean Fabrício S. | 9/21/2009 11:27:00 PM

Estou de mau humor.

Volte amanhã.

Grato, uma boa noite.

Fazer a diferença é essencial.
Entenda clicando aqui.

Excesso de água pode fazer mal à saúde.
Link aqui.

twoheadssnake

Ah…eu já vi muitas cobras 2 caras por aí.

Algumas inclusive andam sobre 2 pernas e são totalmente terrestres.

Pois é, pois é, pois é.

legimitado por Jean Fabrício S. | 8/09/2009 02:41:00 PM

Só você conhece a intensidade da sua dor e os limites do seu perdão.

A lembrança é um gatilho. Basta um movimento, uma fração de segundo e ela estala, dispara.

O tiro é a saudade. É rápido, voa, dói.

Às vezes o tiro é de misericórdia e você se conforta na ausência infinita da pessoa sentida ou da situação que faz falta.

Contudo, em alguns casos, o tiro é cruel e dói a falta de pessoas vivas, de gente querida que já não te olha nos olhos; corações que nunca estarão tão próximos como antes; aquela risada engraçada, livre, que talvez você nunca mais ouça.

A saudade é um projétil. Um projeto. E somos todos cheios de tiros.